Escritura e registro são a mesma coisa?
Não. A escritura pública formaliza o negócio nos casos em que ela é exigida; o registro no Cartório de Registro de Imóveis é o ato que transfere a propriedade imobiliária entre vivos. Por isso, uma escritura antiga pode continuar pendente de registro.
Contrato de gaveta vale alguma coisa?
Pode comprovar o negócio e gerar obrigações entre as partes, mas não transfere sozinho a propriedade. A Súmula 239 do STJ afirma que o direito à adjudicação compulsória não depende do registro prévio do compromisso de compra e venda. O conteúdo, a cadeia contratual, a quitação e os demais requisitos ainda precisam ser examinados.
O vendedor não é localizado ou se recusa a assinar. Existe solução?
Pode existir. O art. 216-B da Lei de Registros Públicos prevê adjudicação compulsória extrajudicial no Registro de Imóveis, sem excluir a via judicial. O procedimento exige assistência de advogado ou defensor público e documentação capaz de demonstrar o negócio, o adimplemento e o inadimplemento da obrigação de transmitir.
Como funciona a notificação na adjudicação extrajudicial?
Pelo Código Nacional de Normas do CNJ, o requerido é notificado para, em quinze dias úteis, anuir ou impugnar. O silêncio pode gerar presunção sobre o inadimplemento, mas não produz registro automático: o oficial ainda qualifica os documentos e pode formular exigências, deferir ou rejeitar o pedido.
Se o vendedor faleceu, é obrigatório fazer o inventário dele primeiro?
Não necessariamente. O Código Nacional de Normas do CNJ prevê que, inexistindo inventário, os herdeiros legais podem ser notificados se forem comprovados o óbito e a qualidade de herdeiro; havendo inventário, basta a notificação do inventariante. A situação concreta e a cadeia contratual precisam ser verificadas.
Adjudicação compulsória e usucapião são a mesma coisa?
Não. A adjudicação busca cumprir um negócio de transmissão que não foi concluído. A usucapião reconhece aquisição pela posse qualificada durante o prazo legal. Um contrato particular pode aparecer nos dois contextos, mas a origem da posse e a cadeia registral determinam o caminho adequado.
Uma impugnação encerra automaticamente o procedimento no cartório?
Não. As regras do CNJ preveem manifestação do requerente, decisão do registrador, possibilidade de conciliação ou mediação e controle judicial específico da impugnação. O efeito depende do conteúdo e do resultado dessa análise.
É preciso pagar o ITBI antes de iniciar a adjudicação extrajudicial?
O imposto de transmissão precisa ser comprovado antes do registro. O Código Nacional de Normas do CNJ prevê que o oficial notifique o requerente para o pagamento antes da lavratura do registro, observado o procedimento local. A incidência e outros aspectos tributários dependem do caso.
Débitos do vendedor ou do condomínio impedem a adjudicação?
Não se deve responder isso de forma genérica. As normas nacionais dizem que a regularidade fiscal do transmitente não é condição para o deferimento e que, em unidade de condomínio edilício, não se exige prova prévia de quitação das cotas comuns. Outros débitos, gravames e responsabilidades podem continuar relevantes e devem ser analisados separadamente.
Como regularizar uma construção que não aparece na matrícula?
Primeiro é preciso verificar a situação perante a administração local e o Registro de Imóveis. Conforme o caso, podem ser necessários projeto, documento de conclusão ou regularização da obra, certidões e averbação. As exigências variam conforme o imóvel e a localidade.
O que é retificação de registro?
É o procedimento usado para corrigir ou completar informações do registro, inclusive medidas, limites ou confrontações, conforme os arts. 212 e 213 da Lei de Registros Públicos. Planta, memorial e participação dos confrontantes podem ser necessários.
Reurb serve apenas para imóvel público?
Não. A Lei nº 13.465/2017 alcança núcleos urbanos informais em áreas públicas ou privadas e prevê Reurb-S e Reurb-E. É um procedimento urbanístico, ambiental, social e jurídico que envolve o poder público competente, projeto aprovado e registro da Certidão de Regularização Fundiária.
Quanto tempo demora e quanto custa?
Não é possível definir antes do diagnóstico. O prazo e o custo variam conforme o caminho, a documentação, as notificações, a existência de impugnação, os atos técnicos, os tributos e os emolumentos aplicáveis.
O atendimento pode começar online?
Sim. A análise documental pode começar online em todo o Brasil. Atos notariais, registrais, administrativos e técnicos seguem a localização do imóvel e podem exigir providências ou profissionais locais.